De que se tratava o Comitê de Investigação de Atividades Anti-Americanas?
O Comitê de Investigação de Atividades Anti-Americanas do Senado dos Estados Unidos foi criado em 1952, no auge da histeria anti-comunista que assolou a sociedade, o governo, a mídia e a classe política dos Estados Unidos, no começo dos anos 50, período inicial da chamada Guerra Fria com a União Soviética.
O Comitê, que é permanente e investiga ações do governo dos Estados Unidos e ações anti-americanas no estrangeiro, alcançou o auge de seu poder, publicidade e intimidação nos anos de 1953 e 1954 quando, comandado pelo Senador Joseph McCarthy, intimou mais de 550 americanos de todas as áreas da sociedade, civil e militar, a deporem no Congresso sobre supostas atividades de espionagem, subversão comunista e atividades anti-americanas nos Estados Unidos.
Dezenas destas pessoas se recusaram a prestar depoimento e tiveram seus nomes tornados públicos em listas publicadas pelo Senado, chamadas de ' listas negras ', que destruiu a reputação de centenas de cidadãos, mesmo que nada ficasse provado contra eles. O simples comparecimento a uma dessas audiências podia causar o desemprego, a desmoralização ou a proibição de trabalho de centenas de cidadãos.
Considerado um dos períodos mais negros da historia política americana, o Macartismo - como este período ficou conhecido - durou até fins de 1954 quando as acusações do Comitê liderado por McCarthy contra o Exército e o Secretário do Exército norte-americano acabaram se mostrando sem fundamento e insultuosas, causando uma moção de censura ao Senador, que deixou o comitê e desapareceu dos holofotes da política nacional.
Em 1947 o Comitê de Atividades Anti-Americanas iniciou um inquérito sobre a Indústria Cinematográfica sediada em Hollywood. Foram entrevistadas mais de 40 pessoas que estavam trabalhando na capital do cinema mundial. Essas pessoas participaram voluntariamente e ficaram conhecidas como “testemunhas amigáveis". Durante essas entrevistas dezenove pessoas foram acusadas de vinculação ideológica com a esquerda.
Uma dessas pessoas, o renomado dramaturgo Berthold Brecht, deu provas de sua afinidade ideológica com a esquerda norte-americana e, em função disso, migrou para a Alemanha Oriental. Dez outros: Herbert Biberman, Lester Cole, Albert Maltz, Adrian Scott, Samuel Ornitz, Dalton Trumbo, Edward Dmytryk, Ring Lardner Jr., John Howard Lawson e Alvah Bessie se recusaram a responder a qualquer pergunta.
Passaram a ser conhecidos como “The Hollywood Ten” (Os dez de Hollywood). Alegaram que a Constituição dos Estados Unidos dava-lhes o direito de fazer isso. O Comitê de Atividades Anti-Americanas e os tribunais não aceitaram essa alegação e consideraram todos eles culpados, condenando-os a penas que se estendiam por períodos de seis a doze meses de prisão.
Edward Dmytryk, um dos membros da lista “Hollywood Ten” teve problemas financeiros. Diante dessa situação, Dmytryk decidiu tentar fazer com que o seu nome fosse retirado da lista negra e, para isso, compareceu perante a Assembléia da Comitê de Atividades Anti-Americanas novamente. Desta vez ele respondeu todas as questões, incluindo a nomeação de vinte e seis antigos membros dos grupos de esquerda.
Dmytryk revelou também o modo como alguns de seus superiores (como John Howard Lawson, Adrian Scott e Albert Maltz) tinham colocado pressão sobre ele para se certificar que seus filmes expressassem os pontos de vista do Partido Comunista. Isto foi particularmente prejudicial para os membros do original “Hollywood Ten” que naquela época foram envolvidos em processos judiciais com seus antigos empregadores.
Se as pessoas se recusassem apresentar nomes quando comparecessem perante o Comitê de Atividades Anti-Americanas, eles próprios eram adicionados a uma lista negra que tinha sido elaborado pelos estúdios cinematográficos de Hollywood. Mais de 320 pessoas foram colocadas nesta lista o que lhes obrigou a parar de trabalhar na indústria do entretenimento. Nomes importantes do cinema norte-americano foram incluídos nessa relação, como Leonard Bernstein, Charlie Chaplin, John Garfield, Dashiell Hammett, Lillian Hellman, Arthur Miller e Orson Welles.