Walter Stuart

Um dos primeiros comediantes da televisão brasileira, estreou em 1951 na recém-inaugurada TV Tupi, onde escreveu, dirigiu e protagonizou programas como Olindo Topa Tudo, Circo Bom Bril, TV Stuart Canal Zero e A Bola do Dia, este último tendo permanecido mais de dez anos no ar. Stuart foi levado para as Emissoras Associadas por Costa Lima e tornou-se um pioneiro, ao trazer o circo para o vídeo e criando uma linguagem de humor que não existia. Ele inovou ao levar a tradição circense de sua família (aos 6 anos já atuava nos picadeiros do circo de seu pai) para a TV. Stuart contracenou com os maiores nomes da dramaturgia brasileira, como Paulo Autran, Raul Cortez e Lílian Lemmertz. Seu último papel foi o de um amalucado em A Praça é Nossa, do SBT. Nasceu em Birigui, interior de São Paulo, quando apresentava-se na cidade a companhia circence de seu pai, o francês Albert Canalis. Sua mãe, a atriz espanhola Conceição Tereza, só deixou de trabalhar quando estava perto dos trabalhos de parto.

Ele viveu sua infância e juventude no ambiente de circo, tendo viajado com a trupe por todo o Brasil, até nos lugares mais retirados. Aos três anos de idade, mudou-se com a família para Buenos Aires, onde viveram por mais de sete anos. Foi nessa época que Walter Stuart Canalis ingressou num colégio francês, onde estudou por dois anos. Mesmo tendo estudado pouco em colégios, ele nunca descuidou de sua educação. Dominando os idiomas francês e espanhol, passou a ler tudo o que lhe caía nas mãos. Aprendeu sozinho o português, auxiliado por seus colegas de circo. Aos seis anos começou a trabalhar como acrobata, mas cedo aprendeu que é preciso fazer de tudo no circo. Foi comediante, bilheteiro, ajudante de mágico, faxineiro e palhaço. Um dia, quando estavam em Bebedouro, conheceu uma moça passeando pela praça principal. Em 1941, casaram-se, ela chamava-se Mouralina e cursava o normal. Tiveram três filhos. Walter chegou a montar uma loja de artigos masculinos denominada Stuart, na Galeria Califórnia, rua Barão de Itapetininga, em São Paulo.

Nos anos 60 e 70, seus personagens amalucados eram garantia de sucesso na Praça da Alegria, humorístico comandado por Manoel da Nóbrega. O comediante teve também participação no programa dos Trapalhões, nessa oportunidade, dirigido pelo filho, Adriano. Fez também cinco telenovelas: Seu Único Pecado, de 1969, na TV Record, ao lado de Suzana Vieira, Rolando Boldrin e Adoniran Barbosa; O Espantalho, de 1977, na TV Record, com Jardel Filho e Nathália Timberg; Plumas e Paetês, de 1980, na Rede Globo, dirigido por Cassiano Gabus Mendes; Acorrentados, de 1983, no SBT e, em seguida, a novela infantil Braço de Ferro, na Bandeirantes. No teatro, atuou em quatro peças e, no cinema, integrou o elenco de onze filmes, entre eles, A Superfêmea, de 1973, estrelado por Vera Fischer, As Aventuras de Mário Fofoca, de 1983, com Luís Gustavo, O Filho Adotivo, de 1984, com Sérgio Reis. Walter Stuart faleceu aos 75 anos, em 11 de fevereiro de 1999.

 
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