Walter George Durst

Roteirista responsável por várias adaptações de obras literárias para a TV, como a telenovela Gabriela, do romance de Jorge Amado, que lançou nacionalmente a atriz Sonia Braga, em 1975. Não torceu o nariz para o gênero. Pelo contrário: passou a tratá-lo com um certo perfeccionismo (chegava a escrever mais de 30 laudas por dia). Foi de sua autoria a telenovela Nina, seriados como Carga Pesada e Obrigado Doutor e minisséries como Anarquistas Graças a Deus e Rabo-de-Saia. 

Durst adaptou o romance Memórias de um Gigolô, de Marcos Rey, para uma minissérie pela mesma emissora. O livro, escrito em 1963, foi transformado em filme em 1970 e levado ao ar pela TV em 1986. A princípio, o singular triângulo amoroso criado por Rey foi vetado pela censura, que demorou dois anos até obter sua aprovação para o horário das 22 horas. Bruna Lombardi fez o papel da prostituta dividida entre o amor de seu cafetão Esmeraldo (Ney Latorraca) e do jovem aprendiz de gigolô Mariano (Lauro Corona). Apesar do trabalho redobrado, Durst optou por dividir o trabalho em episódios, e não em capítulos, de tal forma que a cada dia era levada ao ar uma pequena história completa ligada à ação principal.

Quando escreveu a adaptação de Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa, contou que, mesmo depois de terminado o trabalho, passou ainda 15 dias montando cenas mentalmente. "Eu descobri a bomba atômica que tinha na mão", disse à revista Leia, na década de 80. Tinha obsessão em trazer temas atuais e autores contemporâneos para o mundo do folhetim diário da telenovela. "Adaptar é trair por amor", costumava dizer. Em 1958, Durst era o responsável pelo programa TV de Vanguarda, da TV Tupi de São Paulo, onde eram apresentadas grandes montagens teatrais adaptadas para a televisão. Em 1960, ia ao ar Dom Camilo, adaptação feita por Durst da obra de Giovanni Guareschi para o vídeo. Zeloni personificava o papel título e tornou-se popular graças a esse programa, transmitido ao vivo pela TV Tupi.

Durst criou o Teatro 63, na TV Excelsior, e em 1968, na TV Bandeirantes, escreveu para Teatro Cacilda Becker, TV Verdade e Só Para Maiores. Em 1974, entrou para a Rádio e Televisão Cultura. Durst foi o autor também do remake de Os Ossos do Barão, em exibido pelo SBT. Paulistano, filho de uma brasileira com um suíço-alemão, Durst assistiu ao início da televisão no Brasil e viu Assis Chateaubriand inutilizar uma das duas câmeras que comprara, quebrando uma garrafa de champanhe sobre o equipamento. Ex-bancário, ex-crítico de cinema, ele ganhou um prêmio de roteiro cinematográfico que o projetou, em 1953. O roteiro era Quase a Guerra de Tróia e ele assinou com o pseudônimo de Lao-Tsé. Estreou como roteirista de cinema com O Sobrado, em parceria com Cassiano Gabus Mendes, em 1956.

Teve um papel ativo na militância de esquerda dos anos 60. Quase foi expulso da universidade pelo envolvimento com o movimento estudantil. Em 1964, foi despedido da TV Excelsior devido às suas simpatias políticas. "Fui ao DOPS e me perguntaram por que todo intelectual era de esquerda." Foi para sobreviver, depois disso, é que começou a escrever novelas, começando como assistente de Glória Magadan. Durst casou-se com a atriz Bárbara Fázio, com quem teve dois filhos, Marcelo e Ella, vindo a falecer aos 75 anos, em 24 de agosto de 1997.


 
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