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Vicente Celestino


Um dos mais importantes cantores brasileiros do século XX, intérprete com eterno arrebatamento, paixão e inigualável voz de tenor, representou, em toda a história da música nacional, a mais longa e ininterrupta carreira artística sem jamais ver diminuída a popularidade.

Antonio Vicente Felippe Celestino nasceu no Rio de Janeiro, em Santa Teresa, no dia 12 de setembro de 1894. Filho de italianos da Calábria, aos oito anos iniciou a carreira artística. Possuidor de voz possante e bela, era chamado diariamente para cantar em festas de Igrejas, reuniões sociais e clubes. Nada recebia em troca, além de elogios, aplausos e lanche. Fã de Enrico Caruso, para seu repertório ele escolhia trechos de óperas, valsas, canções e música sacra. Aos dezoito anos começou a cantar nos bares e, aos vinte, estreava profissionalmente no Teatro São José, onde levou a plateia ao delírio cantando a canção "Flor do Mal", tornando-se sua primeira gravação em 1916. Na época, ganhou a importância de dez mil réis por milhares de cópias vendidas.

Dos seis homens (eram onze irmãos), cinco dedicaram-se ao canto e um ao teatro (Amadeu Celestino). Desde os 8 anos, por causa de sua origem humilde, Celestino teve de trabalhar: sapateiro, vendedor de peixe, jornaleiro e, já rapaz, chefe de seção numa indústria de calçados. Começou cantando para conhecidos e era fã de Enrico Caruso. Rapidamente, depois de oportunidade no teatro, alcançou renome. Formou companhias de revistas e operetas com atrizes-cantoras, primeiro com Laís Areda e depois com Carmen Dora.

Após terminar o curso primário, Celestino estudou desenho industrial no Liceu de Artes e Ofícios. Casou-se, em 1933, com a cantora e atriz Gilda de Abreu. O casamento foi realizado na manhã do dia 25 de setembro de 1932 e, à noite, Gilda usou o mesmo vestido em uma cena do espetáculo "A canção brasileira" (de Luís Iglesias e Miguel Santos e música de Henrique Vogeler), repetindo, com uma revoada de pombos e ao som da marcha nupcial, a emoção do casamento, para o público do teatro. Durante a carreira, conquistou o público feminino tanto por sua voz de tenor, quanto por sua bela estampa de galã.

Em 1920 montou uma companhia de operetas, mas sem nunca deixar o carnavalesco de lado, emplacando sucessos como 'Urubu Subiu'. As excursões pelo Brasil renderam-lhe muito dinheiro e só fizeram aumentar sua popularidade. Nos anos 20, reinava absoluto como ídolo da canção. Na década seguinte começou a demonstrar seus dotes como compositor resultando em clássicos de seu reportório, como 'O Ébrio', sua música mais lembrada até hoje (inclusive transformada em filme por sua esposa, Gilda Abreu, cantora, escritora, atriz e cineasta). Vicente estrelou outro filme: "Coração Materno".

Um grande empresário da época, Walter Mochi, ao ouvi-lo, quis levá-lo para a Europa, a fim de projetar Vicente como um dos maiores tenores dramáticos do mundo. Mas ele não concordou e disse que jamais deixaria o Brasil, declinando, assim, do honroso convite. Cantou durante 65 anos e recebeu o título de "A voz orgulho do Brasil'. Compôs várias cancões de sucesso, entre elas "Coração Materno", "Patativa", "Serenata" e "Ouvindo-te". Durante 33 anos foi contratado pela RCA-Victor, onde gravou centenas de discos.

Teve também suas músicas regravadas por grandes nomes, como Caetano Veloso e Mutantes e faleceu em consequência de um problema no coração, aos 73 anos, em 23 de agosto de 1968. Quando morreu, às vésperas dos 74 anos, no Hotel Normandie, em São Paulo, estava de saída para um show com Caetano Veloso e Gilberto Gil, na famosa gafieira "Pérola Negra", que seria gravado para um programa de televisão. Celestino passaria incólume por todas as fases e modismos, mesmo quando, no final dos anos 50, fiel ao seu estilo, gravou músicas mais modernas e de caráter intimista, como canções de bossa nova: "Conceição", "Creio em Ti" e "Se Todos Fossem Iguais a Você". Seu eterno arrebatamento, paixão e inigualável voz de tenor, fizeram com que o povo o elegesse como um ídolo inigualável.

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