Artista do cinema japonês, um de seus maiores nomes e de projeção internacional, foi o predileto do cineasta Akira Kurosawa, falecido na mesma época. Mifune interpretou personagens marcantes em filmes que abriram para o cinema japonês as portas do Ocidente. Seu sucesso foi tão grande que ele interpretou filmes em Hollywood (Grand Prix, de John Frankenheimer) e no México, nos anos 60. Nesse último representou, em Animas Trujano, de Ismael Rodriguez, o papel de um autêntico camponês mexicano. Nascido na China, filho de missionários japoneses, Mifune ganhava a vida como fotógrafo em Xangai antes de ser ator. Terminada a 2ª Guerra, fixou-se no Japão. Sua estréia nas telas aconteceu em 1947, ao participar entre 4.000 candidatos, de um teste para o cinema promovido por Kurosawa na empresa Toho. Não ganhou, mas chamou a atenção do diretor Senkichi Taniguchi, que lhe confiou seu primeiro papel naquele mesmo ano.
Em 1948, surgiu a primeira parceria com Kurosawa. Fizeram juntos O Anjo Embriagado. Logo vieram, no ano seguinte, Duelo Silencioso e Cão Danado. Em 1950, interpretou, de novo para Kurosawa, Rashomon, que foi premiado no Festival de Veneza e é considerado o primeiro grande sucesso internacional do cinema japonês. Quatro anos mais tarde, a dupla colheu novo sucesso com Os Sete Samurais, um filme de ação eletrizante que foi adaptado pelo cinema americano, virando faroeste (Sete Homens e um Destino, de John Sturges). Entre os dois, fizeram O Idiota, baseado em Dostoievski. Sempre personificando guerreiros implacáveis, Mifune estrelou em 14 filmes da responsabilidade do grande cineasta.
Dotado de singular temperamento dramático, Mifune mostrou-se especialmente eficaz em caracterizações truculentas e não desprovidas de humor. Seus filmes de ação com Kurosawa tornaram-se cultuados em todo o mundo. O italiano Sergio Leone inspirou-se em Yojimbo para fazer Por Um Punhado de Dólares. Esculpiu o personagem do Homem Sem Nome de Clint Eastwood baseado na silhueta de Mifune. Era um grande ator. Provou-o ao trocar o cinema pela TV, interpretando a minissérie de 10 horas Shogun, com Richard Chamberlain, nos anos 80. Em 1981, contratado pela Varig para fazer um comercial de televisão, Mifune desempenhou seu papel de forma brilhante. Experiente e talentoso, não precisou de mais de meia hora no estúdio e seu sotaque e a voz rouca fizeram sucesso. Sua fala, Boa viagem pela Varig, saiu como os produtores queriam: Boa biadgem pela Barígue. Dias depois, seguiu para Manaus, com o propósito de pescar tucunarés. Mifune faleceu aos 77 anos, em 23 de dezembro de 1997.