Um dos grandes atores do cinema brasileiro, Hingst foi coadjuvante em mais de cem títulos. Fez de tudo, de filme de cangaço a comédias, de dramas a pornochanchadas. Colaborou com praticamente todo o grande cinema paulistano: de Anselmo Duarte ("Quelé do Pajeú") a Luís Sérgio Person ("O Caso dos Irmãos Naves"), de Rogério Sganzerla ("O Bandido da Luz Vermelha") a Carlos Reichenbach ("Lilian M., Relatório Confidencial"), de José Mojica Marins ("O Ritual dos Sádicos" e "O Despertar da Besta") ao produtor Pedro Carlos Rovai.
Como protagonista, Hingst atuou em filmes de Walter Hugo Khouri ("Estranho Encontro") e Rubem Biáfora ("O Quarto", 1967). Neste último, o ator incorpora a solidão da cidade grande, uma São Paulo cinzenta e impenetrável. A presença de Hingst, interpretando um pequeno funcionário de uma repartição pública, traz à tona toda a crise psicológica de um personagem anônimo, uma engrenagem solitária e descartável em meio a uma engrenagem maior - a cidade. Com seu olhar melancólico e seus gestos contidos, com sua interpretação sutil e elegante, Hingst poderia ser chamado de o Marcello Mastroiani brasileiro.