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Mamonas Assassinas


Grupo musical paulista integrado por cinco rapazes de Guarulhos: Alecsander Alves, Dinho (vocalista, 25 anos), Bento Hinoto (guitarrista, 25), Júlio Cesar Barbosa (tecladista, 28), Sergio Oliveira (baterista, 26) e Samuel de Oliveira (baixista, 22). Com uma das trajetórias mais fulminantes da música brasileira, estrearam com o CD "Mamonas Assassinas" e venderam 1,8 milhão de cópias, tornando-se o disco que mais vendeu em toda a história do mercado musical nacional, no curto período de seis meses.

Rafael Ramos, um adolescente de 17 anos, filho do diretor artístico da gravadora EMI, foi quem insistiu para que a banda tivesse uma chance. Contratado, em pouco mais de três semanas compuseram a maior parte das faixas do disco. Com letras simples e irreverentes, oscilando entre o grotesco e a zombaria, se transformaram na coqueluche da meninada entre 8 e 13 anos, conquistando um sucesso estrondoso. Ao contrário de grande parte dos roqueiros brasileiros, filhos de famílias da classe média alta, os cinco rapazes passaram a infância e adolescência em bairros operários, onde shows-baile são a maior diversão.

Certa vez, numa festa junina no Parque Cecap, a banda que animava a multidão não sabia cantar "Sweet Child O'Mine", dos Guns N'Roses. Anunciaram que tocariam a música em versão instrumental, a menos que alguém da plateia se dispusesse a subir no palco e cantar. Com seu bom humor, Dinho foi direto. Não sabia a letra, mas imitou o cantor Axl Rose e fez tanta zoeira no palco que virou ídolo local. Amigos há mais de sete anos, foi nesses eventos que a vocação de Dinho e o grupo despertou para a música.

Em 1988, fundaram o grupo Utopia, que durou seis anos. Chegavam a tocar por seis horas ininterruptas por um cachê de 200 reais. Durante o dia, sobreviviam graças a outros afazeres. Nenhum deles cursou faculdade. Bento, descendente de japoneses, chegou a fazer física na Universidade de Guarulhos mas abandonou o curso no terceiro ano. Os irmãos Sergio e Samuel, trabalhavam como office-boy e empregado de malharia. Júlio foi empregado de uma fábrica de motores a diesel. Dinho, nascido em Irecê, na Bahia, fazia bicos. Seu pai, corretor de imóveis e a mãe, evangélica, vieram para São Paulo quando ele tinha menos de um ano de idade.

Aos 15 anos, Dinho descobriu sua vocação para imitar personagens conhecidos, na onda dos radialistas de sucesso na época. Da imitação passou para cover de cantores famosos, mas nunca estudou canto. Gravava as músicas que queria cantar e ficava repetindo cada trecho até conseguir uma interpretação idêntica ao original. Foi assim que sua voz ganhou a variedade de registros que lhe permitiu fazer o humor tipo paródia, que se transformou na alma da banda. O grupo morreu no auge da fama, quando o jatinho Learjet, que o transportava de Brasília para São Paulo, se espatifou num morro nas proximidades do aeroporto de Guarulhos. O acidente ocorreu em 9 de março de 1996.

Em 1992, quando eram o Utopia, os integrantes tentaram tocar no Estádio Paschoal Thomeo (conhecido como Thomeozão), em Guarulhos. Foram, porém, expulsos pelo dirigente do estádio, considerando que a banda nunca iria fazer sucesso devido a seu nome. Em janeiro de 1996, já como Mamonas, os cinco lotaram o estádio. O logotipo da banda é uma inversão da logomarca da Volkswagen, colocada de ponta-cabeça, formando assim um M e um A de "Mamonas Assassinas". Dois veículos da empresa alemã são citados nas canções: em "Pelados em Santos", a Volkswagen Brasília, e em "Lá vem o Alemão", a Volkswagen Kombi. Os Mamonas preparavam uma carreira internacional, com partida para Portugal preparada para 3 de março de 1996.

Em 8 de abril de 2013, foi divulgado na internet um polêmico vídeo em que o deputado federal e pastor Marco Feliciano, presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados, afirmou que o acidente que causou a morte dos integrantes da banda foi provocado por Deus. Para o pastor, a banda "tocou na santidade das crianças", pois, por causa das suas músicas, "as crianças estavam falando palavrões". Ainda segundo o religioso, o vocalista Dinho "era da igreja Assembleia de Deus em Guarulhos" e "se vendeu ao Diabo pelo vil dinheiro". Por fim, ao descrever o que teria sido a vingança de Deus contra a Banda, o pastor disse que "o avião estava no céu, região do ministro do juízo de Deus, lá na Serra da Cantareira, ao invés de virar para um lado, o manche tocou para o outro. O Anjo pôs o dedo no manche e Deus fulminou aqueles que tentaram colocar palavras torpes nas bocas das nossas crianças". O pai de Dinho, Hildebrando Alves Leite, processou Marcos Feliciano por danos morais, em Brasília. Segundo Hidelbrando, Dinho não pertencia a nenhuma religião, sendo seu pai católico e sua mãe envagélica. Dinho teria sido criado sob o catolicismo e, apesar de religioso, não era praticante.

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