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Jânio Quadros


Antes da Presidência da República, Jânio foi vereador por São Paulo e criou como símbolo para sua campanha uma vassoura, com a qual dizia iria limpar a cidade da corrupção e de tudo o mais. Teve carreira meteórica, tendo sido eleito prefeito, governador e presidente do Brasil. Seu reduto eleitoral em São Paulo foi o bairro de Vila Maria, que ficou nacionalmente conhecido devido a projeção do próprio Jânio.

O 23º presidente do país era filho de médico, Dr. Gabriel Quadros e de uma dona de casa, Dna. Leonor. Nasceu em Campo Grande e depois a família transferiu-se para São Paulo, onde diplomou-se pela Faculdade de Direito da USP em 1939. Estreou na vida política em 1947, ao eleger-se vereador e, em 1954, prefeito de São Paulo. Antes do término de seu mandato, concorreu às eleições novamente e foi escolhido para Governador do Estado (1955-1958). Elegeu-se Deputado Federal pelo Paraná em 1958. Com os cabelos desgrenhados, o corpo magro que fingia alimentar com sanduíches de mortadela, ia nos comícios e subia nos palanques, fazendo o povo delirar com seus discursos inflamados. Teve excelente atuação no governo do Estado, saneando as finanças públicas, pavimentando rodovias, construindo hidrelétricas e outras obras básicas, o que valeu-lhe a vitória por maioria esmagadora no pleito para a presidência da República, em 1960.

Em sua curta gestão, condecorou Che Guevara, proibiu que as mulheres usassem biquínis nas praias e não aceitava o nome de Palácio do Planalto, chamando sistematicamente o edifício de Palácio dos Despachos. Sua renúncia após sete meses no mandato permanece uma incógnita, apesar da tão mencionada forças ocultas parecerem esconder uma ambição pela ditadura. O vice-presidente, Jango, havia sido mandado por ele para o exterior, numa missão na China, sendo que alguns alegam que essa atitude foi proposital a fim de que, após a renúncia, e sabedor da insatisfação dos militares com as posições políticas de João Goulart e acreditando firmemente num apoio popular, Jânio pretenderia voltar à presidência com mais força, caracterizando um golpe político.

Porém sua renúncia, ao contrário do que imaginava, foi levada ao Congresso, lida e aceita, assumindo de imediato a presidência, pela falta do vice que estava viajando, Ranieri Mazzilli, presidente da Câmara dos Deputados, que governou de 25 de agosto a 6 de setembro de 1961, quando do retorno conturbado de Jango, que assumiu na condição do parlamentarismo. Entretanto, logo depois houve um plebiscito e a volta ao presidencialismo, culminando com o golpe militar de 1964 e o início da ditadura militar no país, por mais de vinte anos. Posteriormente, Jânio se "exilou" durante algum tempo numa cidade de Mato Grosso.

Seus métodos eleitoreiros, que incluíam oratória e comportamento peculiares, resultaram no maior número de votos proporcionalmente jamais obtidos. Na volta à vida pública, em 1962, concorreu pela segunda vez ao Governo do Estado de São Paulo. Desgastado pela renúncia recente e minado pelas desavenças com o Governador Carvalho Pinto, que apoiava outro candidato, Jânio chegou 200.000 votos atrás de Adhemar de Barros, seu tradicional adversário político. Contudo, ganhou mais de um milhão de votos. Em 1964, teve seus direitos políticos suspensos por dez anos e, em 1978, recusou a pensão para ex-presidentes votada pelo Congresso.

Vinte e cinco anos depois de sua passagem por Brasília, Jânio saiu-se mais uma vez vitorioso, elegendo-se prefeito da capital de São Paulo. Morava numa mansão de quinze cômodos no Guarujá, possuía uma biblioteca de 18.000 volumes e vivia cercado por cinco vira-latas. Além dos quadros que pintava, chegou a publicar um Dicionário da Língua Portuguesa e uma Gramática da Língua Portuguesa, de sua autoria. Preparando-se para a volta à política em 1978, Jânio deu a seguinte declaração a respeito de seu símbolo inseparável: "A vassoura é ubíqua, está por toda parte, porque não há casa que não careça de limpeza. E, assim, ela é um símbolo feminino porque ainda cabe à mulher a saúde do lar. Pois só a varredura cotidiana é que faz o lar habitável. Ou então cada um caminharia pela própria casa fechando as narinas, como já tivemos que caminhar por cidades e estados deste vasto país. Estou convencido também que a maior parte das aspirações do povo brasileiro não é a redução do custo de vida, como afirmam alguns. É a honradez no trato dos dinheiros do povo. Porque na desonestidade é que se esconde o juro extorsivo, o impulso exagerado, o atravessador, o açambarcador, o gatuno, enfim, com a inevitável alta do custo de vida". Jânio foi ainda professor e historiador, tendo sido casado com Dna. Eloá Quadros. Tiveram uma filha, Tutu Quadros, com a qual se desentendeu várias vezes. Ela também seguiu a carreira política, tendo conseguido ser eleita deputada federal. Jânio Quadros faleceu aos 75 anos, em 16 de fevereiro de 1992.

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