Ator de Hollywood, ao longo da carreira de mais de cinco décadas, interpretou personagens parecidos com ele próprio - belos e altivos. Peck ganhou o Oscar pelo papel de Atticus Finch em O Sol É para Todos, de 1962. Ao todo, Peck teve cinco indicações para o Oscar de melhor ator, quatro delas em seus primeiros cinco anos na indústria cinematográfica. Foi com o papel de Atticus Finch, um advogado viúvo e pai de dois filhos que defende um negro do sul dos Estados Unidos de uma acusação injusta de estupro, que Gregory Peck conseguiu sua última consagração. Em votação recente, os 1,5 mil membros do American Film Institute elegeram Atticus Finch o maior herói de toda a história do cinema. O reconhecimento do heroísmo de Finch 31 anos depois do lançamento do filme é apenas uma confirmação do sucesso que teve o personagem em 1962. Sobre aquele que talvez tenha sido seu maior papel, o do advogado Finch, Peck disse em 1989: “Eu pus tudo o que tinha naquele papel, todos os meus sentimentos e tudo o que aprendi em 46 anos de vida sobre família, pais e filhos, sobre justiça racial, desigualdade e oportunidade”.
A mesma American Film Institute já havia eleito Gregory Peck, ao lado de Bette Davis, Audrey Hepburn, Greta Garbo, Cary Grant, Clark Gable e outros, como um dos 50 melhores atores de toda a história. Da lista, Peck era um dos poucos que ainda estavam vivos. Pouco depois da votação, o ator dizia, em 2000, que a era de glamour de Hollywood estava acabada. Ícone de uma era, dizia-se dele, segundo o The New York Times: "Toda mulher queria se casar com ele, todo homem queria ser ele".
Da primeira fase de sua carreira, o filme de maior sucesso em que Peck fez o papel principal foi A Luz é Para Todos, de Elia Kazan em 1947. O ator viveu um jornalista encarregado de uma matéria sobre o anti-semitismo nos Estados Unidos. Para dar mais realismo ao seu trabalho, o repórter Phil Green decide se passar por judeu e conhece por dentro o preconceito conta os judeus no país. Peck foi indicado ao Oscar de melhor ator por este filme, mas não levou. Mas A Luz é Para Todos ficou com os Oscars de melhor filme e diretor.
Houve papéis dos mais variados na carreira de Gregory Peck, sendo vários deles personagens legendários. Ele foi um herói de combate em Almas Selvagens, de 1949, o comandante Ahab de Moby Dick (1956), o escritor F. Scott Fitzgerald em O Ídolo de Cristal, o general MacArthur em MacArthur, O General Rebelde, o capitão Keith Mallory em Os Canhões de Navarone, o Rei Davi em Davi e Betsabá, e o Joseph Mengele em Os Meninos do Brasil.
Não menos ilustre é a lista de diretores com quem ele trabalhou. Com Alfred Hitchcock ele fez Quando Fala o Coração (1945) e Agonia de Amor (1945). Com John Huston ele estrelou Moby Dick (1956), Willian Wyler em Da Terra Nascem os Homens (1958) e A Princesa e o Plebeu (1953), Vincent Minelli em Teu Nome É Mulher (1957), John Ford em A Conquista do Oeste (1962), Robert Mulligan em O Sol É Para Todos (1962), Martin Scorsese em Cabo do Medo, (1991) - um remake do filme que ele protagonizou em 1962, sob direção de J.Lee Thompson. Em 1989, época em que Peck ainda estava em plena atividade, o astro comentava sua condição de veterano afirmando: “Trabalho enquanto gostar disso. Não quero fazer, se puder evitar, algo medíocre. É um tanto inverossímil na minha idade aparecer de turco”.
Nascido Eldred Gregory Peck em 5 de abril de 1916, na Califórnia, filho de um farmacêutico, ele veio a se tornar ator quando um professor da faculdade de medicina que cursava o levou para o teatro da Universidade de Berkeley. Acabou fazendo cinco peças em um ano, que foi o seu último na faculdade. Após a formatura, Peck foi para Nova York com US$ 195 no bolso e fez bicos em várias atividades até que estreou na Broadway com Morning Star, em 1939. Foi a partir daí que chamou a atenção de Hollywood, onde conseguiu seu primeiro papel no modesto Quando a Neve Tornar a Cair, de 1944. E nunca mais deixar de atuar em cinema.
Peck casou com sua primeira mulher, Greta, em 1942, e teve três filhos, Jonathan, Stephen e Carey. Jonathan, repórter de TV, suicidou-se aos 30 anos. Após o divórcio em 1954, Peck casou-se com a jornalista francesa Veronique Passani, com quem viveu por 48 anos e teve mais dois filhos, Anthony e Cecilia, ambos atores. O ator faleceu aos 87 anos, em 12 de junho de 2003.