E lá rumou a garota para a Europa. A viagem e a estadia na Rússia não foram das mais confortáveis, mas Frances sabia o que queria. Voltando do estrangeiro, ao invés de dirigir-se a Seattle e escrever suas impressões no tal jornaleco, a loura aventureira ficou em Nova York, disposta a tentar o legítimo teatro. Uma carta de apresentação de um amizade a bordo levou-a ao produtor Shepard Traube e de lá ao escritório da Paramount. Um teste foi feito e o resultado, um contrato para Hollywood. A jovem iniciante foi colocada então em vários filmes sem importância, como Patrulha Aérea (Border Flight, 1936).
Aos 21 anos, atinge seu primeiro sucesso no cinema, interpretando o papel de Lotta em Meu Filho é Meu Rival (Come and Get it), ao lado de Joel McCrea e dirigido em conjunto por Howard Hawks e William Wyler, em 1936. Durante as filmagens, longe de se comportar como simples principiante, a loura artista desandou a dizer o que pensava dos métodos de Hollywood, o que achava bom e o que achava mau principalmente. Os veteranos até sorriam daquela criatura ousada, e muita coisa foi mudada nos diálogos do filme por iniciativa sua. Casa-se com Leif Erickson, o jovem galã louro da Paramount, mas seu desassossego com a hipocrisia social e profissional são motivos para uma crescente rebeldia. Ao mesmo tempo que entra numa série de conflitos com a mãe. Frances gradativamente vai sendo levada à bebida, as crises psicóticas e as internações. A essa altura, ela já se tornara o prato predileto das colunas de Hollywood, que ataca seu temperamento forte e suas maneiras reticentes, com algo muito masculino.
A estrela não deixava de ser compensadora aos patrões, interessados na bilheteria, mas aos operários do estúdio, eles simplesmente não a suportavam. Principalmente os figurantes, que não escondiam sua antipatia para com a intrusa, corajosa mas franca demais. Nessa ocasião foi rodado Reportagem de Sangue (Exclusive, 1937). Frances acaba sendo definitivamente internada. Seu 13o filme era lançado na mesma época, A Herança do Ódio (Among the Living), dirigido por Stuart Heisler, em 1941. Assim, ela é lobotomizada, tornada apática, sem qualquer emoção e, mesmo desse jeito, a atriz ainda rodaria seu último filme, A Fúria dos Jovens Maus (The Party Crashers), de Bernard Girard, em 1958. Frances morria doze anos depois, aos 65 anos, deixando uma autobiografia, Will There Really Be a Morning? (Haverá Realmente uma Manhã?). Sua vida também é contada no filme Frances, estrelado por Jessica Lange, em 1983.