Flávio Cavalcanti

Popular animador do programa que levava seu nome, célebre por jamais perdoar gravações musicais de mau gosto e fazendo severas críticas através de outro programa que comandava, Um Instante Maestro. Em 1946, foi contratado pela Rádio Nacional do Rio de Janeiro, fazendo o programa Discos Impossíveis. Em 1953, substituiu Jacinto de Thormes num programa de entrevistas na TV Tupi do Rio. Apreciaram tanto seu desempenho que Flávio ganhou um programa exclusivo em 1958, Noite de Gala, produzido e dirigido por ele.

Com sua violenta reportagem musical, Flávio apareceu na televisão provocando polêmica e comprando uma infinidade de inimigos ferrenhos, principalmente gente de grande cartaz no cenário musical, mas adquirindo o aplauso do telespectador, que o apoiava na campanha que fazia pela moralização das letras do cancioneiro popular. Na mesma emissora, comandou A Grande Chance, entre 1960 e 1970, e escolhendo calouros que merecessem ganhar um disco em Um Instante, Maestro. Interrompia a música que considerava de má qualidade, quebrava discos, estalava os dedos chamando nossos comerciais, por favor, e fazia gestos teatrais, com o dedo em riste e a haste dos óculos na boca.

Por causa de um tic nervoso, que o levava a tirar e botar os óculos a todo instante, ele criou a marca registrada que identificava seu temperamento e estilo na televisão. O primeiro programa de TV a ter jurados foi o seu, na extinta TV Excelsior. Com elevados índices de audiência, contava com um elenco de nomes importantes no júri, como Márcia de Windsor, Denner e Sérgio Bittencourt, todos também falecidos. Tornou-se célebre na década de 60 por entrevistar o presidente John Kennedy na Casa Branca.

No governo  Médici, seu programa foi suspenso por 60 dias, acusado de ofender a moral e os bons costumes. Escolhido um mês antes para dirigir um programa do Projeto Minerva, do Ministério da Educação, seu nome foi vetado pelo então Ministro Jarbas Passarinho. Flávio costumava refugiar-se numa luxuosa mansão que possuía numa das mais altas montanhas nos arredores de Petrópolis, ao lado de sua mulher, Dona Belinha, e dos filhos. Flávio Cavalcanti faleceu aos 63 anos, em 26 de maio de 1986.

 
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