Emilinha Borba

     Emília Savana da Silva Borba nasceu no Rio de Janeiro e passou grande parte da infância em Mangueira, mudando-se depois com os pais e seis irmãos para o bairro de Jacarepaguá. Já então gostava de cantar, divertindo os colegas com suas imitações de Carmem Miranda. Passou a freqüentar programas de calouros, ganhando seu primeiro prêmio, com 14 anos, na Hora Juvenil, da Rádio Cruzeiro do Sul. Começou, a partir daí, a fazer parte do coro das gravações da Columbia. Ainda nesse programa, formou o duo As Moreninhas, com Bidu Reis, que durou cerca de um ano e meio. 

     Para o Carnaval de 1939, fez sua primeira gravação, na Columbia, a marcha Pirulito, de João de Barro e Alberto Ribeiro, ao lado de Nilton Paz, mas seu nome não apareceu no selo do disco. Também em 1939, através de Carmem Miranda, conseguiu ser apresentada a Joaquim Rolas, proprietário do Cassino da Urca, que a contratou. Na Columbia até 1940, gravou mais quatro discos com quatro músicas, com destaque para os sambas O cachorro da Iourinha e Meu mulato vai ao morro, ambos de Gomes Filho e Juraci Araújo. Ainda era chamada de Emília. Nesse mesmo ano, foi para a Rádio Mayrink Veiga e participou do filme Vamos cantar, de Leo Marten. Saiu do Cassino da Urca em agosto de 1943 e foi logo contratada pelo Cassino Atlântico, passando também a trabalhar, por um período de seis meses, na Rádio Nacional.

     Em agosto de 1944 retornou ao elenco da Rádio Nacional, onde permaneceria por 27 anos ininterruptos, fase áurea dessa emissora e da carreira da cantora. Foi o primeiro grande cartaz dos programas de auditório lançados pela Rádio Nacional, a partir de 1945, e sua popularidade esteve diretamente ligada ao programa de César de Alencar, transmitido para todo o país.

     Em 1947 fez enorme sucesso com as rumbas Escandalosa, Rumba de Jacarepaguá, Tico-tico na rumba... e o samba Se queres saber, gravados na Continental. Para o Carnaval de 1949, gravou um de seus maiores êxitos, Chiquita Bacana, de João de Barro e Alberto Ribeiro, mas perdeu para a cantora Marlene o título de Rainha do Rádio daquele ano, gerando atritos entre os respectivos fãs-clubes. As duas, no entanto, surpreenderam o público no ano seguinte, gravando juntas, em dueto, Eu já vi tudo, Casca de arroz e A bandinha do Irajá.

     Emilinha participou de 34 filmes, destacando-se, nesse período: Poeira de Estrelas (1948), Estou Aí (1949), Aviso aos Navegantes (1950) e Barnabé, Tu és Meu (1952).      Durante a década de 1960 continuou a marcar sua presença nos Carnavais, lançando músicas bem populares como Pó de mico (1963) e Mulata iê-iê-iê (1965).

     De 1939 a 1964, gravou em 78 rotações cerca de 117 discos com 216 músicas. Na medida em que seu gênero musical - samba, marcha, rumba - foi cedendo lugar à música jovem, ela foi desaparecendo do cenário artístico até encerrar praticamente sua carreira em 1968, quando, operada de um edema nas cordas vocais, não conseguiu recuperar o timbre de voz. Em 20 anos de carreira, desde 1945, tornou-se, juntamente com sua "rival" Marlene, um dos primeiros produtos bem-sucedidos da eficiente máquina de criação e divulgação de ídolos, montada no rádio em torno dos programas de auditório, que se estendeu ao cinema através das chanchadas.  Em 1990, Emilinha festejou 50 anos de carreira com um desfile em carro aberto pela Av.Rio Branco, no Rio de Janeiro, em que foi seguida por cerca de 6 mil pessoas, um show no Teatro Rival e o lançamento do LP O Carnaval de João Roberto Kelly na voz de Emilinha Borba, contendo duas composições novas para o Carnaval de 1991. Emilinha Borba faleceu aos 82 anos, em 3 de outubro de 2005.


 
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