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Não há hoje, no cinema nacional, nenhum nome com tanta força de sedução diante do sexo feminino quanto foi o de Cyll Farney na década de 50. Intérprete de 37 filmes em 54 anos de carreira, o carioca Cileno Dutra e Silva fez 22 chanchadas nos estúdios da Atlantida personificando o mesmo tipo. Cyll Farney foi, com Anselmo Duarte, o grande galã da casa. Irmão de Dick Farney, começou como baterista do irmão. Sua bela estampa chamou a atenção do produtor Ademar Gonzaga e ele estreou no cinema, contracenando ao lado de Marlene e Vera Nunes, no filme Um Beijo Roubado, de Leo Marten, ainda nos anos 40. Identificado como um dos maiores galãs brasileiros, Cyll era sempre o bom moço, elegante e bem-vestido. Geralmente vivia nas telas um filho de papai rico que encantava a mocinha-cantora, e tudo acabava em festa numa boate. Não demorou muito para seu rosto ficar conhecido e a carreira deslanchar.

Em 1949 e em 1950, respectivamente, Cyll trabalhou com Fada Santoro em Escrava Isaura e Pecado de Nina. A partir daí, criou-se um ideal de par romântico que iria marcar sua trajetória artística. Quando foi contratado pela Atlântida, em 51, o galã fez oito filme com outra referência das chanchadas: a atriz Eliana. Daí vieram os sucesssos Aí Vem o Barão (51), Vamos com Calma (56) e O Espetáculo Continua (58). “Em 56 aconteceu um fenômeno chamado Colégio de Brotos. O filme foi a maior bilheteria da Atlântida e atingiu o maior faturamento do Grupo Severiano Ribeiro (GSR) daquele ano”. Ao mesmo tempo em que virava um símbolo de beleza entre as adolescentes em filmes como Carnaval em Atlântida (52) e Nem Sansão, Nem Dalila (54) - com Oscarito e Grande Otelo - Cyll procurava atuar em papéis mais complexos. Um deles foi no melodrama urbano Amei um Bicheiro (52), e a co-produção estrangeira Chico Viola Não Morreu (55), de Gilberto Abreu, no qual o ator interpretava Francisco Alves.


 


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Cyll Farney
Na década de 60, o galã deu um giro na carreira e passou a se dedicar à produção e direção de documentários. Fez duas co-produções com a Alemanha. Produziu Manaus: Glória de uma Época, em 1963 e dirigiu Lana: Rainha das Amazonas, em 1964. Passou muito tempo na Europa e acabou ficando amigo de Roberto Rossellini e Ingrid Bergman. De volta ao Brasil, Cyll Farney ainda atuou na televisão. Mas, nesse veículo, seu trabalho iria se destacar por trás das câmeras; mais especificamente nos 16 anos em que administrou as campanhas publicitárias da Petrobras. Há anos afastado do cinema, Cyll mantinha um estúdio de publicidade no Rio, a Tycoon, e organizando o projeto pessoal Poeira de Estrelas, resgatando a memória de artistas de sua geração. Trata-se de uma série de documentários biográficos, com um hora de duração cada, enfocando nomes como Francisco Alves, Orlando Silva e outros grandes da música brasileira. Cyll Farney fez parte da história do cinema brasileiro e veio a falecer aos 77 anos, em 14 de março de 2003.


Filmografia
1949: Escrava Isaura
1950: Um Beijo Roubado
1950: O Pecado de Nina
1951: Tocaia
1951: Aí Vem o Barão
1952: Areias Ardentes
1952: Barnabé, Tu És Meu
1952: Três Vagabundos
1952: Amei um Bicheiro
1953: Carnaval Atlântida
1954: Nem Sansão, Nem Dalila  
1955: Chico Viola Não Morreu
1955: Guerra ao Samba 
1955: Paixão nas Selvas
1956: Colégio de Brotos
1956: Papai Fanfarrão
1956: Vamos com Calma
1957: Garotas e Samba
1957: De Vento em Popa
1958: É a Maior
1958: E o Espetáculo Continua
1959: O Homem do Sputinik
1960: Os Dois Ladrões
1960: Duas Histórias - Cacareco Vem Aí
1960: Pintando o Sete
1961: Quanto Mais Samba Melhor
1962: As Sete Evas
1962: Entre Mulheres e Espiões  
1962: Copacabana Palace
1967: A Espiã Que Entrou em Fria
1968: Juventude e Ternura
1968: O Rei da Pilantragem
1968: Rio dos Diamantes
1969: O Impossível Acontece
1969: Incrível, Fantástico, Extraordinário
1972: A Infidelidade ao Alcance de Todos
1972: Janaína, a Virgem Proibida 
1973: Um Virgem na Praça
1975: Assim Era a Atlântida
1975: Tem Folga na Direção
1976: O Pai do Povo
1977: Este Rio Muito Louco
Veja mais fotos de Cyll Farney
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