Durante uma conversa com Ingrid Bergman, sua companheira no filme, o telefone tocou e ele saiu correndo. Quando voltou, anunciava exaltado o nascimento do filho, com lágrimas nos olhos. Michael era lindo, tinha os olhos de Boyer e era o orgulho da família. Tornou-se um jovem atlético, sensível e, ao completar 21 anos, ganhou de presente do pai um apartamento. Michael apaixonou-se por uma moça e ambos estavam no apartamento, além de um outro rapaz que ela supostamente amava também. Não se sabe ao certo, mas no meio de uma discussão, Michael sacou um revólver, encostou-o na cabeça e estourou os miolos.
Boyer e a esposa jamais recuperaram-se da tragédia. Abandonaram Hollywood e foram tentar viver em Genebra e, depois, quando Pat ficou doente mudaram-se para o Arizona. Lá ela morreu de um tumor cerebral. Foi insuportável para Boyer, que se recusava a falar ou ver quem quer que fosse. Acabou suicidando-se dois dias após a morte da esposa.
O ator chegou a fazer 50 filmes e contracenou com as mais famosas atrizes das décadas de 30 e 40, sempre conservando a imagem de elegante e dotado de boas maneiras, mas carregando numa certa dose de cinismo. Participou também de séries para a televisão, como Four Star Playhouse em 1953 e The Rogues em 1964. Estreou no cinema americano em 193l, com The Man from Yesterday. Em Paris e Berlim trabalhou em Tumulto, O Gavião (L'Epervier, 1933), Tempestade, Coração Apache, A Batalha (The Battle, ao lado de Merle Oberon, em 1934). Faleceu aos 78 anos, em 27 de agosto de 1978.