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Carybé
Famoso artista plástico da Bahia, desenhou a maioria das capas dos livros de Jorge Amado e também de Rubem Braga e Gabriel García Márquez. Fez também esboços de cenas de filmes, como O Cangaceiro, de 1953, para o qual desenhou cenários e figurinos, e os murais dos aeroportos de Nova York e Londres. O Aeroporto Internacional de Miami recebeu dois painéis de Carybé. A transferência foi resultado de um acordo assinado por representantes da Prefeitura do Condado de Miami-Dade, da American Airlines, proprietária das pinturas, e da Odebrecht, responsável pela restauração e transporte dos painéis. As obras, "Alegria e festa das Américas" e "A descoberta do Oeste", encontravam-se expostas no terminal da AA no Aeroporto Internacional John Fitzgerald Kennedy, em Nova York, desde 1960. O Prefeito do Condado de Miami-Dade, Carlos Alvarez, salientou que as elas "são uma excelente aquisição para o programa 'Arte em Locais Públicos' do condado, levando obras de arte da América Latina ao aeroporto". Ele agradeceu a American Airlines e a Odebrecht pela contribuição. Carybé venceu um concurso da American Airlines nos anos 50 para pintá-los, superando vários artistas importantes da época. Ele recebeu US$ 60 mil pela obra (foto abaixo).


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Carybé era dono de uma obra vasta, com cerca de cinco mil trabalhos catalogados, entre pinturas, desenhos, esculturas e esboços. Pintor desde os quinze anos, seu nome real era Hector Julio Paride Bernabó, o apelido Carybé foi extraído de seu mingau predileto. Numa outra versão, quando era escoteiro pertencia a uma patrulha na qual todos tinham nomes de peixes e o seu era carybé, ou seja, piranha. O artista era argentino de nascimento, filho de pai italiano e mãe gaucha. Em 1938, desembarcou em Salvador pela primeira vez com a missão de fazer uma reportagem com Lampião. Tudo o que conseguiu foi desenhar as cabeças dos cangaceiros e seu chefe, já decapitadas.

Enquanto sua família morava no Rio, permaneceu na capital baiana com o emprego de desenhista de cenas baianas, para a Secretaria de Educação da Bahia. Trabalhou muito em jornal para poder sobreviver e ilustrava livros. Em 1950, conheceu o marchand Valdemar Szaniecki, que colocou suas obras numa galeria de arte de São Paulo, ao lado de artistas já consagrados. Com o passar dos anos, seus trabalhos não pararam de valorizar e Carybé passou a viver somente de sua arte. Tornou-se conhecido como pintor de cavalos porque um de seus trabalhos com esse tema foi presenteado à rainha da Inglaterra. Chegou a fazer duas exposições em Londres, concorrendo com artistas de diversas nacionalidades.

Pintor de recursos limitados mas brilhante desenhista, Carybé não obteve muitos prêmios ao longo da carreira. Apenas um primeiro lugar em desenho numa Bienal de São Paulo e por duas vezes sala especial em outras bienais. Carybé esteve no Peru, na Bolívia, no chaco argentino, onde morou com os índios. Mas preferia a Bahia porque considerava Salvador, apesar das relíquias históricas, uma cidade viva e com arquitetura moderna. O artista morreu de infarte durante uma sessão num terreiro de candomblé de Salvador. Faleceu aos 86 anos, em 1º de outubro de 1997.