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Filmelândia
Carmem Silva
Atriz do teatro, cinema e televisão de origem gaúcha, com grande popularidade em 1973 por seu papel na telenovela Os Ossos do Barão, onde interpretava Dona Melica, mulher de Antenor (Paulo Gracindo), pela Rede Globo. Participou também de Ídolo de Pano, pela Rede Tupi. Seu primeiro prêmio na carreira teatral foi conquistado por sua atuação como atriz coadjuvante em Mais Quero Asno que me Carregue do que Cavalo que me Derrube. Recebeu também elogios da crítica por seu trabalho em Vida em Família. Tendo iniciado na vida artística em 1939, foram raros os momentos fáceis que Carmem desfrutou. Começou ainda menina, em Pelotas, ao ir sozinha até os estúdios da rádio Cultura de Pelotas, pedir uma vaga de radioatriz. Após a leitura de um parágrafo do texto de radioteatro, Carmem começa a integrar o elenco da rádio. Foi Severo Lemos, diretor da rádio Cultura que sugeriu o nome Carmem Silva, cujo nome de batismo é Maria Amália Feijó. Foi ainda na rádio Cultura que Carmem iniciou sua carreira como atriz de teatro na companhia da atriz gaúcha radicada em São Paulo, Iracema de Alencar. Após uma turnê pelo Estado, Carmem permaneceu na cidade de Rio Grande onde precisava de dinheiro para pagar as contas do hotel. A solução foi trabalhar como rotuladora de latas de presuntada nas Companhias Swift do Brasil. Foi também em Rio Grande que a atriz integrou o grupo de locutores da Voz do Poste, rádio veiculada através de alto falantes dependurados nos postes da praça da cidade.

Depois Carmem percorreu praticamente todo o interior do Brasil, em diferentes companhias. Mas foi em São Paulo que encontrou as suas melhores chances ao interpretar a mesma Dona Melica que lhe trouxe o sucesso na TV na peça Os Ossos do Barão, ao lado de Otelo Zeloni, e em A Escada, também de Jorge Andrade. Lá, amparados pela colega gaúcha Norah Fontes, Carmem e o marido, o humorista e violinista Cancela Filho, o italiano Totó, são contratados para integrar o elenco da rádio Tupi. Como radioatriz e humorista, respectivamente. Foi na Tupi que a atriz conviveu com alguns dos nomes mais importantes para a história do rádio teatro: Walter Avancini, Geórgia Gomide, Laura Cardoso, Lima Duarte, Paulo Goulart, Lia Borges de Aguiar, Sarita Campos, Walter Foster entre outros. Atuou ainda no rádio e fez novelas na TV Record de São Paulo, onde a atriz começou a escrever programas de rádio. Conselhos para mulheres, temas infantis, radionovelas e até um horóscopo bem humorado ganharam características femininas pelas mãos de Carmem Silva. Com a chegada da televisão em 1950, a atriz recebe licença da Record para interpretar algumas peças de teatro na TV Tupi. Com a instalação dos estúdios de TV na Record, Carmem permanece então na emissora, trabalhando paralelamente no rádio e na televisão. Foi aí o começo de sua trajetória como atriz de televisão.

Em 1968, decidida a montar sua própria companhia de teatro , Carmem volta pra o sul, onde permanece um ano trabalhando como radioatriz na rádio Gaúcha, ao lado de radioatores como Adroaldo Guerra, Aida Terezinha, Alma Castro e Walter Ferreira. A insatisfação a conduz para o Rio de Janeiro onde inicia seu trabalho nas novelas. Na Globo Carmem fez as novelas "Pigmaleão 70", "A Próxima Atração", "Minha Doce Namorada", "Sinal de Alerta" e "Os Ossos do Barão", a minissérie "Primo Basílio", e por último, o Você Decide "Sagrada Família", ao lado de José Lewgoy. Em 1975 a atriz retorna novamente para Porto Alegre decidida a ficar definitivamente. A insistência de Walter Foster resulta no retorno da atriz para o Rio de Janeiro onde faz as novelas "O Ídolo de Pano" com Tony Ramos e "A Viagem" com Eva Wilma. Carmem volta mais uma vez para Porto Alegre, mas em seguida é chamada pela rede Bandeirantes para fazer uma novela. Acaba permanecendo e fazendo cinco novelas. Por volta de 1980, Carmem Silva se estabelece definitivamente no sul onde continua trabalhando como atriz de teatro e cinema e vivendo ao lado da família.

Carmem, chamada na vida real Maria Amália Feijó, no início de sua carreira teve que adotar um nome artístico para que ninguém, nem mesmo sua família, soubesse que ela estava atuando em radionovela. Seu marido ficou completamente surdo e teve de se aposentar com uma pensão de 200 cruzeiros mensais. Carmem chegou a fazer simultaneamente televisão no Rio e teatro em São Paulo, saindo antes dos aplausos e viajando de ônibus, para a outra cidade. Chegava pela manhã, ia direto para a Globo, onde, às sete horas, começava as gravações. No fim da tarde, pegava um táxi, corria para o aeroporto e voltava para São Paulo. Entretanto, sua batalha mais sofrida aconteceu ao tentar a aposentadoria: Durante meses, percorrendo os arquivos do jornais, ela teve de coletar velhos recortes de críticas, artigos ou anúncios teatrais com seu nome para provar ao INPS que era atriz, já que os depoimentos dos empresários com quem trabalhara não eram suficientes para completar a documentação na época. Em 2003, na novela "Mulheres Apaixonadas", da Rede Globo, Carmem Silva emocionou o país interpretando ao lado do ator Oswaldo Louzada, um casal de idosos maltratados pela neta Dóris, papel de Regiane Alves. Ela nasceu em 5 de abril de 1916. Era uma das mais idosas atrizes em atividade do país, com 92 anos de idade, ao falecer em 21 de abril de 2008.
Outra foto de Carmem Silva
 


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