Carlos Lacerda

Político nascido em Vassouras, Rio de Janeiro, de grande influência na década de 50, foi também jornalista e editor, proprietário da Nova Aguilar e Nova Fronteira. Fundador do jornal Tribuna da Imprensa em 1949, que marcou posição contra Getulio Vargas. Eleito deputado federal pela UDN em 1954 e governador do extinto Estado da Guanabara em 1961. Militou no Partido Comunista e se tornou uma das principais lideranças conservadoras do país. Carlos Frederico Werneck de Lacerda iniciou sua carreira jornalística no Correio da Manhã, com uma seção de nome idêntico ao jornal que mais tarde viria a criar. Em 1947, elegeu-se vereador do Distrito Federal, renunciando ao mandato no ano seguinte.

Lacerda tentou impedir a posse do presidente Juscelino Kubitschek e depois fez oposição ao seu governo, como também ao de Getulio Vargas e ao de Jânio Quadros. Contribuiu decisivamente para a queda desses dois últimos. Foi um dos principais líderes civis do movimento que derrubou João Goulart em 1964 e, ao atacar Castelo Branco, em 1968, teve seus direitos cassados por dez anos, pelo AI-5. Homem de poderosa imaginação, fala influente capaz de inflamar comícios e conquistar multidões de eleitores, a partir dessa época dedicou-se apenas a atividades literárias. Suas obras: Xanan e Outras Histórias (contos), O Rio (teatro),Uma Rosa é uma Rosa (crônicas), O Poder das Idéias (discursos políticos) e Crítica e Autocrítica (1966).

Figura central da política brasileira no início dos anos 50, Lacerda foi vítima de um dos mais célebres atentados da história. Em 5 de agosto de 1954, ao chegar à noite em sua casa na rua Toneleiros, em Copacabana, na companhia do major da Aeronáutica Rubem Florentino Vaz, pistoleiros contratados pelo chefe da guarda palaciana de Getulio Vargas, Gregório Fortunato, dispararam um projétil que acertou-lhe o pé e outro que feriu o militar. Gregório foi preso, os pistoleiros implacavelmente perseguidos e a situação política acabou culminando com o suicídio de Getulio, em 24 de agosto. Conhecido por seu temperamento explosivo e imprevisível, no governo de Juscelino Kubitschek (1956-1960), Lacerda subiu à tribuna parlamentar e o qualificou de ilegal, inconstitucional, imoral, degenerância dos princípios republicanos, um governo na fraude, pela fraude e para a fraude. O presidente foi capaz de enfrentar tal adversário usando apenas as armas do arsenal democrático, de sobreviver a ele e de se projetar na História do país.

Em sua fase como governador, Lacerda criou o termo Novo Rio, para definir todas as obras que sua administração realizou, como a construção da elevatória do Guandu (para combater a crônica falta d'água), o aterro do Flamengo, a abertura no túnel Rebouças e a conclusão do Santa Barbara, conjuntos habitacionais Vila Kennedy, Aliança e Cidade de Deus, além de aumentar em 50% a rede escolar e modernizar os hospitais. Como político, tinha muitos adversários e, certa vez, num debate na câmara, o deputado Eloy Dutra, do PTB, para irritá-lo, disse: Vossa Excelência é um purgante. A resposta veio rápida: E Vossa Excelência é o efeito. Sua biografia foi publicada em 1992, Carlos Lacerda - A Vida de um Lutador, obra de pesquisa do historiador americano John Foster Dulles. Carlos Lacerda faleceu aos 63 anos, em 23 de maio de 1977.


 
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