“Farrapo Humano” é um retrato sério e fiel do alcoolismo. Em 1945, Billy transformou o galã Ray Milland em um escritor alcoólatra que esconde garrafas de bebida pelo apartamento e é capaz de trocar a máquina de escrever, seu instrumento de trabalho, por alguns goles. Ou melhor, ele tenta trocá-la, pois a história toda ocorre num final de semana (no título original, “O Fim-de-Semana Perdido”), bem no meio de um feriado judaico, e o pobre alcóolatra vai de loja de penhores em loja e encontra tudo fechado, numa das seqüências mais célebres desta pérola.
“Pacto de Sangue”, um film-noir que conta a trama de um corretor de seguros especializado em desvendar fraudes. Após se envolver com a femme fatale Barbara Stanwyck, ele decide fraudar uma apólice. Barbara era uma estrela no auge, e Billy queria uma atriz decadente. Assim, ele pôs nela uma peruca loura bem vagabunda, o que causou a reclamação de um produtor: “Contratamos Barbara e recebemos George Washington?!”. Mas valeu a pena. O ótimo “Corpos Ardentes”, inclusive, se encarregou de homenagear “Pacto” décadas mais tarde.
Wilder estreou nas telas em 1942 com “A Incrível Suzana” e fez também “A Montanha dos Sete Abutres”, “A Primeira Página”, a comédia “Quanto Mais Quente Melhor”, considerada uma das melhores já feitas, e “Se Meu Apartamento Falasse”, que valeu a Wilder seu segundo Oscar. Em “O Pecado Mora ao Lado” há a cena com o vestido de Marilyn Monroe levantado pelo vento do metrô. Sobre Marilyn, Billy declarou: “foi como ter trabalhado com Hitler”.
Foi em 1981 que Wilder fez seu último filme, que não era grande coisa e se chamava “Amigos, Amigos, Negócios à Parte”. Billy Wilder faleceu aos 95 anos, em 30 de março de 2002.