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Cineasta de Hollywood, foi uma das personalidades mais lendárias do cinema e deixou para trás um legado de 26 produções que inclui muitas obras-primas. Wilder nasceu na Áustria e, para fugir do nazismo, foi para os Estados Unidos em 1934, sem saber uma palavra de inglês. Isso não o impediu de virar roteirista (seus scripts eram traduzidos) ou de transformar-se num americano típico, desses que usam boné e gírias da moda e prestigiam jogos de beisebol. Mas, como proferiu um personagem de “Quanto Mais Quente Melhor”, um de seus clássicos absolutos, “ninguém é perfeito”. É provável que o maior de todos seja “Crepúsculo dos Deuses”, uma história ácida narrada por um cadáver - um jovem roteirista que, sem querer, passa a fazer parte da vida de uma ex-estrela de cinema. Em determinado trecho, ele diz a ela: “Você já foi grande”, no que ela responde: “Eu sou grande. Os filmes é que ficaram pequenos”. O filme é a descrição mais apurada que Hollywood ousou fazer de si mesma.

O chefão da MGM, Louis B. Mayer, odiou tanto a produção que xingou Billy a plenos pulmões: “Seu miserável, você desgraçou a indústria que te fez. Você deveria ser expulso daqui!”. Billy deu-lhe o troco sete anos depois, quando o funeral de Mayer atraiu uma multidão: “Isso comprova tudo: dê às pessoas o que elas querem ver, e elas comparecerão”. Mas só na mente pervertida de Billy é que se passava que o público queria ver corpos em decomposição. A primeira cena de seu “Crepúsculo” acontecia num necrotério. A reação da platéia de exibições-teste fez com que Billy mudasse o início pra cena do protagonista boiando na piscina.


 


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Billy Wilder
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“Farrapo Humano” é um retrato sério e fiel do alcoolismo. Em 1945, Billy transformou o galã Ray Milland em um escritor alcoólatra que esconde garrafas de bebida pelo apartamento e é capaz de trocar a máquina de escrever, seu instrumento de trabalho, por alguns goles. Ou melhor, ele tenta trocá-la, pois a história toda ocorre num final de semana (no título original, “O Fim-de-Semana Perdido”), bem no meio de um feriado judaico, e o pobre alcóolatra vai de loja de penhores em loja e encontra tudo fechado, numa das seqüências mais célebres desta pérola.

“Pacto de Sangue”, um film-noir que conta a trama de um corretor de seguros especializado em desvendar fraudes. Após se envolver com a femme fatale Barbara Stanwyck, ele decide fraudar uma apólice. Barbara era uma estrela no auge, e Billy queria uma atriz decadente. Assim, ele pôs nela uma peruca loura bem vagabunda, o que causou a reclamação de um produtor: “Contratamos Barbara e recebemos George Washington?!”. Mas valeu a pena. O ótimo “Corpos Ardentes”, inclusive, se encarregou de homenagear “Pacto” décadas mais tarde.

Wilder estreou nas telas em 1942 com “A Incrível Suzana” e fez também “A Montanha dos Sete Abutres”, “A Primeira Página”, a comédia “Quanto Mais Quente Melhor”, considerada uma das melhores já feitas, e “Se Meu Apartamento Falasse”, que valeu a Wilder seu segundo Oscar. Em “O Pecado Mora ao Lado” há a cena com o vestido de Marilyn Monroe levantado pelo vento do metrô. Sobre Marilyn, Billy declarou: “foi como ter trabalhado com Hitler”. Foi em 1981 que Wilder fez seu último filme, que não era grande coisa e se chamava “Amigos, Amigos, Negócios à Parte”. Billy Wilder faleceu aos 95 anos, em 30 de março de 2002.



Filmografia
1942: A Incrível Suzana (The Major and the Minor)
1943: Cinco Covas no Egito (Five Graves to Cairo)
1944: Pacto de Sangue (Double Indemnty).....Mais informações
1945: Farrapo Humano (The Lost Weekend).....Mais informações
1948: A Mundana (A Foreign Affair)
1948: A Valsa do Imperador (Emperor Waltz)
1950: O Crepúsculo dos Deuses (Sunset Boulevard)
1951: A Montanha dos Sete Abutres (Ace in the Hole).....Mais informações
1953: Inferno 17 (Stalag 17).....Mais informações
1954: Sabrina (idem).....Mais informações
1955: O Pecado Mora ao Lado (The Seven Year Itch)
1957: Águia Solitária (The Spirit of St. Louis)
1957: Amor na Tarde (Love in the Afternoon).....Mais informações
1957: Testemunha de Acusação (Witness for the Prosecution)
1959: Quanto Mais Quente Melhor (Some Like it Hot)
1960: Se Meu Apartamento Falasse (The Apartment).....Mais informações
1961: Cupido não Tem Bandeira (One, Two, Three)
1963: Irma La Douce (idem)
1964: Beija-me, Idiota (Kiss Me, Stupid)
1966: Uma Loira por Um Milhão (The Fortune Cookie).....Mais informações
1970: A Vida Íntima de Sherlock Holmes (The Private Life of Sherlock Holmes)
1972: Avanti! Amantes à Italiana (Avanti!).....Mais informações
1974: A Primeira Página (The Front Page).....Mais informações
1978: Fedora (idem)
1981: Amigos, Amigos, Negócios à Parte (Buddy, Buddy)