A atriz foi presidente da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood e fundadora da Hollywood Canteen. O Oscar ganhou sua designação oficial em 1935 e afirma-se que Bette o batizou. Quando encontrava-se em seu camarim e mostraram-lhe a estatueta, ela olhou para sua parte de trás e achou-a parecida com o traseiro de seu marido, Harmon Oscar Nelson. Bem, aqui está Oscar, sorriu a estrela, ao voltar para sua mesa, no banquete de gala da Academia. Seu marido franziu a sobrancelha, interrogando-a com o olhar. Mas o rumor dos aplausos tornava impossível qualquer comentário. Bette acabava de ser proclamada a melhor atriz do ano. Dei-lhe o teu nome, disse Bette quando serenou a onda de aplausos, não o acha encantador? Harmon, orgulhoso com a vitória da esposa, olhou com admiração a estatueta e murmurou: Muito prazer em conhecê-lo, Oscar! Existem outras versões a respeito do nome, mas esta é a mais conhecida.
Ao longo de 50 anos de carreira, e participação em mais de 100 filmes, Bette foi considerada a melhor, a mais perfeita e completa atriz que surgiu em Hollywood. Começou como ingênua, aceitou todos os papéis que lhe deram, sem nenhum protesto. Ela queria dominar a técnica do cinema - e dominou. Seu nome foi reconhecido como legítima estrela das telas ao personificar a garçonete Mildred, em Escravos do Desejo (Of Human Bondage), primeira versão do romance de Somerset Maugham, também com o título de Servidão Humana, rodado em 1934. Foi contemplada com dois Oscars de melhor atriz: o primeiro em 1935, com Perigosa (Dangerous), e o segundo em 1938, com Jezebel. Vivien Leigh, a Scarlet O'Hara de ...E o Vento Levou, perdeu o Oscar de melhor atriz em 1938 para Bette Davis. Entretanto, Bette desejava ardentemente ser a primeira atriz a ganhar três Oscars e passou o resto da vida tentando, mas Katharine Hepburn bateu esse recorde em 1968. Bette continuou filmando, nunca mais recebeu nenhuma premiação da Academia de Artes e Ciências até o fim de sua vida, mesmo depois que um derrame em 1984 paralisou metade de seu rosto. Apesar dos membros da Academia fingirem ignorar o nome de Bette, seus desempenhos eram tão impressionantes e admiráveis que as indicações eram uma constante. Hollywood poderia ter lhe dado mais vezes o prêmio, a Academia teria ficado engrandecida por isso.
Mas a velhice e a doença não conseguiram eliminar o brilho de seus olhos, transformado em tema de música por Kim Carnes: Bette Davis' Eyes. Em 1962, seu ostracismo era tal que a estrela se viu obrigada a colocar um anuncio no jornal onde mencionava atriz desempregada oferece-se para trabalhar. O resultado foi sua memorável participação em O que Terá Acontecido a Baby Jane? (What Ever Happened to Baby Jane?), ao lado da arqui-rival Joan Crawford. Ela culpou Joan por não ter ganhado seu terceiro Oscar, alegando que a atriz fez um movimento político em Hollywood contra sua atuação. Bette casou-se quatro vezes e adotou duas crianças. Em 1985, Barbara Davis Hyman, filha da atriz, publicou sua biografia ao lado da mãe, onde a descreve como uma mulher egocêntrica, dominadora e altamente neurótica. Na capa do livro, denominado My Mother's Keeper refere-se à biografia como um inocente retrato de sua famosa mãe. Bette Davis faleceu aos 81 anos, em 6 de outubro de 1989.