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Augusto Pinochet


Se a ditadura militar brasileira foi a sombra, a do general Augusto Pinochet, no Chile, foi a escuridão. Depois de liderar o golpe que derrubou o socialista desvairado Salvador Allende, em 1973, ele governou o país por dezessete anos. Nos primeiros anos, os mais truculentos, como de praxe nas ditaduras latino-americanas, seu regime matou 3200 pessoas. Pelos porões da tortura, outras 30000 foram supliciadas. Nos anos 80, Pinochet lançou as bases que permitiram ao Chile superar o ideário estatizante, essa velha praga do subcontinente, e transformar-se numa das economias mais vibrantes do Hemisfério Sul. Não há, evidentemente, uma relação de causa e efeito entre a brutalidade política e a pujança econômica. Nos seus estertores, Pinochet respondia a processos criminais em cortes chilenas e internacionais. Mas morreu impune.

Augusto Pinochet Ugarte nasceu no porto de Valparaíso, 100 km a oeste de Santiago, e não pôde concluir seus estudos no Seminário San Rafael, de onde foi expulso por sua indisciplina. Seu pai, o fiscal de alfândega Augusto Pinochet Vera, insistiu em sua formação católica e o inscreveu no Colégio dos Sagrados Corações, mas o estudante de 15 anos acabou sendo reprovado. Depois desse primeiro fracasso postulou a Escola Militar, em Santiago, onde se formam os oficiais do exército, e foi rejeitado. Só conseguiu entrar na terceira tentativa em 1932. Seis anos mais tarde era subtenente e conheceu a jovem Lucía Hiriart, com quem se casou em 1940 e teve três filhas e dois filhos.

Com o grau de capitão, Pinochet assumiu em 1947 o comando do campo de prisioneiros de Pisagua, para prender dirigentes do Partido Comunista proscrito pelo governo do presidente radical Gabriel González Videla (1946-1952). Quando a 4 de setembro de 1970, o médico socialista Salvador Allende foi eleito presidente, Pinochet já era general. Designado chefe do exército, Pinochet chefiou três semanas depois o golpe que culminou com o suicídio de Allende em meio ao bombardeio ao palácio de La Moneda, em 11 de setembro de 1973. Como presidente da Junta Militar, Pinochet fechou o Parlamento, proscreveu os partidos políticos e a Central Unitária de Trabalhadores (CUT), instaurou a censura de imprensa e ordenou a detenção de dirigentes esquerdistas, centenas dos quais foram fuzilados nos primeiros meses da ditadura que se prolongou por quase 17 anos.

Pinochet passou os últimos anos de sua vida morando em Santiago e enfrentando acusações de abusos aos direitos humanos e fraudes cometidos durante os 17 anos em que esteve no poder. Sob seu regime, mais de 3.000 pessoas foram mortas por sua polícia secreta. Apesar das acusações, o general não chegou a ir a julgamento, já que sua equipe de defesa sempre alegou que sua saúde era muito frágil para que ele enfrentasse o processo judicial.

Quando completou 91 anos, Pinochet divulgou um comunicado afirmando que assumiu a "responsabilidade política" pelos atos cometidos durante seu regime, mas que a única razão para suas medidas era "fazer do Chile um grande país e evitar a desintegração". Pinochet enfrentava processos por crimes de violações dos direitos humanos, fraude ao fisco e uso de passaportes falsos no chamado Caso Riggs - aberto após a descoberta de contas secretas no exterior, nas quais ele acumulou fortuna de US$ 27 milhões, cuja origem não foi determinada. Entre os processos relacionados a direitos humanos, figuram o desaparecimento de dissidentes em 1975, na chamada Operação Colombo, na qual Pinochet foi acusado de envolvimento no seqüestro de ao menos três dissidentes por serviços de segurança de seu governo. O ex-ditador chegou a ser preso em diversas ocasiões em conexão com os crimes. Grupos peruanos defensores dos direitos humanos ressaltaram a ironia de que a morte do ditador chileno Augusto Pinochet tenha ocorrido no Dia Internacional dos Direitos Humanos. Augusto Pinochet faleceu aos 91 anos, em 11 dezembro de 2006.

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