Florinda Bolkan •

 
 

Florinda Bolkan, nome artístico de Florinda Soares Bulcão, nasceu na cidade de cearense de Uruburetama, em 15 de fevereiro de 1941. É filha de deputado e neta de padre pelo lado materno. Viveu em Fortaleza, e no Rio de Janeiro e hoje é cidadã do mundo. Antes de ingressar na carreira cinematográfica, foi comissária de bordo da Varig. Foi para a Itália em 1968, descoberta para o cinema por Luchino Visconti. No seu primeiro filme, "Candy", contracenou com o "Beatle" Ringo Star. Depois dele, já fez mais 40 filmes. Em "Vacanze" foi dirigida por Vittorio de Sica. Em 1963, Florinda partiu para visitar Londres e Paris na companhia de amigos, seu coração já estava na Europa, quando de uma viagem anterior aqueles países. Era uma meta particular, onde de fato ficou morando por dois anos.

Em diversas ocasiões recebeu propostas para trabalhar como modelo mas, devido ao seu caráter, tímido introvertido, não se achava apta para este trabalho. No ano de 1967, foi convidada por amigos italianos a um encontro, deste encontro ela conheceu o famoso diretor italiano Luchino Visconti que a convenceu a vencer sua timidez e tornar-se atriz. Visconti conseguiu persuadi-la a realizar um belíssimo teste de fotogenia que durou três dias, e a partir daí conseguiu, de imediato, uma participação no seu primeiro filme. Logo seria escolhida para participar em um filme com Jean-Louis Trintignant e Robert Hossein em Paris, "Voleur de crimes".

Florinda fez aquele que pode ter sido um dos melhores filmes de sua carreira, "Investigação Sobre um Cidadão Acima de Qualquer Suspeita", sob direção de Elio Petri. Enrico Maria Salerno dirigiu-a em "Anônimo Veneziano". Contracenou com atores do nível de Jean-Louis Trintignanti, John Cassevetes e Anie Girardot. A exemplo de Sophia Loren, Claudia Cardinale e Mônica Vitti, também ganhou por três vezes o "Donatello", Oscar do cinema italiano. É mulher extremamente sensual, sofisticada e de muito talento. De Sica quando contratou Florinda para fazer "Amargo Despertar", o filme que iria lançá-la no mercado norte-americano. Disse esta frase: "Escolhi você por que seus olhos são de quem já conheceu a fome". A resposta de Florinda Bolkan: "Quem nasce no Ceará traz uma carga de verdade muito dura e forte".

A atriz reside em Braccano, a 50 quilômetros de Roma - Itália onde vive há quase 50 anos. Ela não pensa em morar no Brasil, mas pode-se encontrá-la de repente em sua casa em Fortaleza, na Praia de Quixabá, perto de Canoa Quebrada, "É o melhor forró do mundo, e adoro dançar", diz Florinda Bolkan que apesar da distância e anos vivendo na Europa, esta setentona não perdeu suas raízes.

"Eu Não Conhecia Tururú" (Brasil, 2001) - Direção: Florinda Bolkan. Comédia de costumes, que retrata a vida de uma família e do universo feminino em suas múltiplas facetas. A família se reúne para o casamento de Carmen (Suzana Gonçalves), uma das quatro filhas de D. Letícia, matriarca nordestina. Eleonora (Florinda Bolkan) vem da Itália, onde mora há anos, trazendo para Rose (Maria Zilda Bethlem), sua irmã e confidente, suas experiências mais recentes, e sua enteada, Selvaggia (Valentina Vicario), com quem mantém um relacionamento afetivo e complicado. O reencontro com os amigos, a descoberta de diferentes formas de relações afetivas, formam a parte central do filme.

13/11/2006 • As vidas de Florinda Bolkan
A cearense Florinda ainda assinava o sobrenome Bulcão. Era 1965 e ela já havia superado a perda do pai, aos nove anos, trabalhava como executiva de bordo da Varig no Rio e circulava com gente fina da alta sociedade. Nada que lembrasse a infância na árida Uruburetama, mas isso ainda significava pouco perto das viradas que viriam. Encarregada de recepcionar os passageiros de um trecho Rio-Londres, atendeu ao pedido de uma colega para trocar com ela a escala de vôo. O avião caiu, e Florinda desabou entre o remorso e a certeza de que precisaria renascer da tragédia. “Minha vida é marcada por turning points. E aquele foi o maior”, lembra ela, que foi curar a depressão ao lado da socialite Regina Leclery em Nova York. “Achei um absurdo ela me convidar, mas Regina era riquíssima. Passamos ainda por Palm Beach e seguimos para Paris.”

Florinda não voltou mais, exceto para trabalhos rápidos, como a filmagem de "Bela Donna" e "Eu Não Conhecia Tururu", ou para integrar o júri da 30ª Mostra Internacional de São Paulo. Na França, estudou na Sorbonne guiada pela paixão e pelos rendimentos de um empresário. “Nunca trabalhei lá.” Passados dois anos, viu que era hora de tomar um rumo. Bastou uma passada por Roma e veio do cineasta Luchino Visconti o convite para um papel em "Deuses Malditos". “Eu era gelada, como uma folha em branco. O Luchino fez o desenho. Precisava encontrar uma solução para minha vida. Essa solução foi ser atriz.”

A fase seguinte do roteiro é conhecida. Florinda Bulcão saiu de cena para Florinda Bolkan brilhar. Na década de 70, esta cearense se tornou uma das maiores estrelas da Europa. “Os diretores caíam aos meus pés”, afirma, sem modéstia, ela, que filmou "Candy", "Investigação sobre um Cidadão Acima de Qualquer Suspeita" e "Numa Noite um Jantar". “Sempre estabeleci medidas na minha vida e sabia que aquele ciclo acabaria um dia. Precisaria sair dele com uma estabilidade. Meu primeiro cachê foi investido em uma égua, que hoje é a ‘bisavó’ dos cavalos que crio.”

Pragmática, Florinda não se deixou seduzir por convites que recebia de cineastas brasileiros. “Meu cachê já ia a 100 em uma terra onde eu era valorizada. Não podia fazer abatimentos porque jamais recuperaria o prejuízo.” Para filhos, não teve tempo. As paixões, porém, não passaram longe de sua vida. Viveu amores intensos com homens, como o ator Ryan O’Neal, e mulheres, como a condessa e produtora Marina Cicogna, com quem viveu por uma década. “Fiz tudo o que eu pude e nunca tive que pedir nada a ninguém.”

Hoje, Florinda mora em Bracciano, a 50 quilômetros de Roma. Ao lado de Anna Chigi – “minha sócia de vida” –, investe em cavalos de salto e saboreia a popularidade com as novas gerações depois do seriado "Piovra", em que interpretou uma mafiosa, nos anos 90. Não dá bola para seus 65 anos e diz que, na Europa, o valor do ator não está na cara. Tem saudade do Ceará, mas não muita. Florinda mantém uma ONG que cuida da formação de crianças na região de Quixaba, distribui cestas básicas e montou uma lavanderia pública. Uma mágoa recente, a ex-estrela deixa escapar. “Comecei a me sentir boicotada. A prefeitura tem dificultado meus passos. Falaram que não preciso distribuir cestas básicas porque o governo já faz isso. Fiquei chateada e, de chateações, eu não preciso.”

21/10/2010 • Florinda Bolkan quer vir votar em Serra no Brasil
Depois das férias de verão na riviera francesa, Florinda Bolkan, que está em Bracciano, na Itália, se organiza para vir ao Brasil votar no segundo turno em Serra e matar saudades de seu Ceará... Florinda agora é empresária do setor alimentício e lançou recentemente o azeite extra virgem Emozione.

07/02/2013 • Queridinha de Visconti, Florinda Bolkan passa temporada discreta no Brasil
Florinda Bolkan — a brasileira que já foi uma das maiores estrelas do cinema europeu, descoberta por Luchino Visconti —passará o Carnaval sossegada. Há duas semanas, a atriz estava incógnita em sua casa de verão em Quixabá, Fortaleza, deu um rasante pelo Rio nesta semana e já partiu para seu sítio em Teresópolis, onde passará o Carnaval ao lado de familiares. A atriz recebeu vários convites para a folia, mas declinou, enviando um recado pela assessora, Romy di Vitti: “Em meu país estou de férias, buscando paz”. No entanto, sua irmã, Sonia Bogner, estilista da Bogner, tradicional grife alemã que pertence a seu marido, Willy Bogner, está no Rio de Janeiro e pretende curtir as festividades na cidade. O casal, habitué da mídia de jet-setters internacionais, acaba de comprar um apartamento na Vieira Souto, em Ipanema.

18/03/2013 • Bolkan: de romance com italiana até os dias atuais
Romy di Vitti, assessora de Florinda Bolkan, está escrevendo a biografia da atriz há 40 anos – sim, quatro décadas. O livro, que passou algum tempo parado, voltou a ser atualizado depois que rusgas pessoais que as mantiveram afastadas foram superadas. Florinda Bolkan, a brasileira chamada de “Monstro sagrado do cinema italiano”, tem toda a sua história contada sob a ótica de Romy, fã e amiga pessoal, cujo título é “Florinda à Italiana” (podendo mudar até o lançamento). Romy é aquela que sabe coisas que ninguém sabe da vida de Florinda, dessa biografia que não tem nada de acadêmica. O livro dá uma geral na vida de Bolkan: seu talento, sua ousadia, seus valores, até relacionamentos pessoais, como o romance com a poderosa socialite italiana Marina Cicogna – do auge aos dias atuais. Di Vitti tem um arquivo riquíssimo – na foto, um recorte da coluna do Zózimo Barrozo do Amaral mostra a atriz num editorial de moda para a Harpper’s Bazaar, com o costureiro Valentino. À época, Bolkan ainda era chamada de Florinda Bulcão.

Veja outra foto de Florinda Bolkan


Filmografia
1968: Candy (idem)
1968: A Fúria dos Intocáveis (Gli Intoccabili)
1969: Os Deuses Malditos (The Damned)
1969: Momentos Eróticos (Una Ragazza Piuttosto Complicata)
1969: Numa Noite... Um Jantar (Metti, una Sera a Cena)
1969: O Ladrão de Crimes (Le voleur de crimes)
1969: O Soldo da Corrupção (Un Detective)
1970: Os Executores (E Venne il Giorno dei Limoni Neri)
1970: Anônimo Veneziano (Anonimo Veneziano)
1970: Investigação Sobre um Cidadão Acima de Qualquer Suspeita (Indagine su un Cittadino al di Sopra di Ogni Sospetto)
1971: O Último Refúgio (The Last Valley)
1971: Uma Lagartixa num Corpo de Mulher (Una Lucertola con la Pelle di Donna)
1972: O Direito de Amar (Le Droit d'Aimer)
1972: O Estranho Segredo do Bosque dos Sonhos (Non si Sevizia un Paperino)
1972: Caros Pais (Cari Genitori)
1972: Um Homem a Respeitar (Un Uomo da Rispettare)
1973: Amargo Despertar (Una Breve Vacanza)
1974: Escalada do Poder (Le Mouton Enragé)
1975: O Heróico Covarde (Royal Flash)
1978: A Senha/Mistério da Palavra (The Word)
1985: A Armadilha dos Desejos (La Gabbia)
1987: A Rainha da Vida (série de TV)
1988: Prisioneiro do Rio (Wiezien Rio/Prisoner of Rio)
1998: Bela Donna
2001: Eu Não Conhecia Tururu


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